‘Vocês podem decidir o destino deste país’, afirma Lula em ato nacional com mulheres

Diante de 7 mil mulheres reunidas na capital mineira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado, 29, que as brasileiras decidirão o destino do Brasil e que é papel do Estado agir para que as mulheres sejam tratadas com respeito. O Ato Nacional Lula com Mulheres, em Belo Horizonte, foi um encontro inédito de um presidenciável com milhares de lideranças femininas na política e nos movimentos sociais, candidatas de todo o país, ministras e mulheres que trabalham no Governo Lula para implementar políticas públicas que asseguram direitos e proteção à população feminina do país.

“Se eu fosse o Roberto Carlos, eu cantava assim: ‘Eu tenho tanto para vos falar, mas com palavras não sei dizer como eu amo vocês’, disse o presidente, logo no início de seu discurso, após todas as ministras e representantes de ministérios terem detalhado ações para as mulheres no atual governo. O presidente destacou a importância da democracia – “democracia é o exercício do voto” –, defendeu o protagonismo das mulheres na política, pediu voto às senadoras e deputadas e afirmou que na próxima semana será votado o fim da escala 6×1, uma demanda das trabalhadoras e trabalhadores do país.

“Nunca na história desse país se fez tanto do ponto de vista da participação das mulheres, mas é preciso que a gente cuide para que todas as mulheres saibam efetivamente os direitos que elas têm”, defendeu o presidente.

 Ato Nacional Mulheres com Lula foi realizado em Belo Horizonte, na Serraria Souza Pinto.Foto: Ricardo Stuckert

Ao citar, mais uma vez, sua forte ligação com a mãe, Dona Lindu, Lula disse sentir “encantamento com a participação das mulheres” e afirmou que a ampliação da presença feminina na política institucional é “uma coisa sagrada”, sendo inaceitável que as mulheres sejam a maioria na população brasileira e a minoria no Congresso e nos Legislativos estaduais e municipais. “Vocês podem decidir o destino deste país”, afirmou, fazendo uma apelo para que o eleitorado feminino vote em mulheres.

O presidente reconheceu, também, a importância da primeira-dama, Janja Lula da Silva, em sua vida. Lula disse que após ficar viúvo de Marisa Letícia, com quem foi casado por 45 anos, achou que a vida havia perdido o sentido. “E Deus colocou no meu caminho a Janja, que me faz um homem pleno.”

 A primeira-dama Janja organizou o evento de mulheres com Lula. No início do ato, foi exibido um vídeo em que ela fala da importância de carregar Silva no nome.Foto: Ricardo Stuckert

Fim da escala 6×1

O presidente demonstrou otimismo com a votação e aprovação do fim da escala 6×1, que está tramitando no Senado. O tema tem sido tratado como prioridade máxima em seu terceiro mandato.

Lula afirmou que, além das questões trabalhistas e de qualidade de vida, reduzir a jornada de trabalho, sem redução do salário, é fundamental “para que as mulheres e os homens tenham mais tempo de cuidar da sua vida própria, mais tempo para cuidar das crianças, mais tempo para passear e conviver”.

Estudar para ter autonomia

O presidente defendeu, ainda, a formação educacional das mulheres como um caminho de autonomia: “Não percam a oportunidade de estudar. […] Se dediquem para ter tempo em casa e fora de casa, no emprego e na rua, para que nenhum marido ache que uma mulher mora com ele a troco de um prato de feijão”.

Ao citar as prioridades para o próximo mandato, Lula afirmou que fará uma “revolução” na educação. Ele defendeu a universalização da escola em tempo integral em todo o país não só para o ensino de conteúdos tradicionais e com qualidade, mas sobretudo para a transmissão de valores, como a igualdade de gênero, com os estudantes “aprendendo que nós somos iguais”.

Ações do governo e balanço de políticas públicas

O petista citou, ao longo do discurso, inúmeras e importantes ações do seu governo, em especial o Pacto Nacional Contra o Feminicídio  que reduziu o tempo médio de atendimento a uma solicitação de medidas protetivas, as Casas da Mulher Brasileira, os Centros de Referência da Mulher Brasileira, as Carretas da Saúde da Mulher e a Lei da Igualdade Salarial.

“Eu posso olhar no olho de cada mulher e de cada menina: nunca antes na história deste país um governo cuidou tanto da participação das mulheres como nós temos cuidado. E é por isso que nós vamos fazer mais”, declarou Lula.

Pacto Brasil contra o Feminicídio

Lula lembrou que o Pacto Nacional contra o Feminicídio, assinado neste ano, permite que os Três Poderes possam agir “de forma articulada para enfrentar a violência contra a mulher”.

“E o presidente da República coloca o tema no centro da nossa agenda”, afirmou Lula, dizendo que, com o Pacto, os Poderes assumiram “a responsabilidade de transformar o Brasil num país em que o feminicídio seja como coisa do passado” e chegue a próximo de zero. Em oito meses, lembrou, foram aprovadas 11 leis e 3 portarias para garantir mais proteção e acolhimento às mulheres.

Papel do Estado e Política de Cuidados

O presidente também defendeu um papel mais ativo do poder público na vida das mulheres, dizendo que é “o Estado que tem que garantir a igualdade de oportunidades” e um tratamento respeitoso a mulheres.

Na mesma linha, citou a política de cuidados como pauta central do governo, ao questionar quem, na prática, cuida de idosos, crianças e pessoas com deficiência dentro de casa: “Essa pessoa não está na contabilidade do PIB brasileiro, mas essa pessoa está trabalhando! Quando é que o Estado vai reconhecer que tem que pagar por isso?”

Para Lula, esse reconhecimento passa também pelo respeito. “Eu acho que as mulheres precisam do reconhecimento, do carinho, e devem ser tratadas com respeito”, afirmou, completando que também é papel do Estado garantir isso.

Homenagem à mãe

O presidente relembrou sua ligação com Dona Lindu, sua mãe: “Heroína da minha vida.” Citou momentos marcantes da sua trajetória de vida com a presença fundamental de Dona Lindu, a quem chamou de “referência”.

Disse que relembrava a história da mãe para conversar com as mulheres presentes no evento “do fundo do coração”.

 

Fonte: Redação Rede PT de Comunicação

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