Tal pai, tal filho: Flávio Bolsonaro disputa Presidência sob investigação no Supremo

Assim como o pai, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disputa a Presidência da República sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato é suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro. A existência da investigação veio a público nesta sexta-feira, 11, após a divulgação de documentos do caso Banco Master, um dia depois de uma operação da Polícia Federal atingir envolvidos na produção.

investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em julho, a pedido da PF e com concordância da Procuradoria-Geral da República. O objetivo é apurar possíveis crimes relacionados aos recursos do banqueiro Daniel Vorcaro destinados à cinebiografia do ex-presidente.

A divulgação ocorre em meio ao avanço de duas frentes de apuração sobre o filme: uma acompanha o dinheiro de Vorcaro e a participação de Flávio; outra investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e levou à Operação Make Up, que teve Mario Frias e a produtora Karina Gama entre os alvos.

Na noite de quinta-feira, 10, Mendonça determinou a retirada do sigilo de 15 procedimentos relacionados ao Banco Master, após solicitação do presidente do STF, Edson Fachin. Os documentos permitiram conhecer a autorização para investigar Flávio, mas o inquérito específico sobre o financiamento de Dark Horse continua sob sigilo.

A distinção é importante: tornou-se pública a existência da investigação contra o candidato à Presidência, mas os detalhes das diligências desse procedimento ainda não estão integralmente disponíveis.

 

Flávio cobrava, Eduardo orientava

O material divulgado até o momento também detalha a participação dos irmãos nas tratativas sobre o dinheiro. A PF confirmou os áudios em que Flávio cobrava repasses de Vorcaro e identificou mensagens indicativas de um possível encontro entre ambos.

Já uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, encaminhada ao banqueiro por Thiago Miranda, continha orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, Vorcaro havia classificado o pagamento ao filme como o “mais importante disparado”.

Na outra frente, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão na quinta-feira, 10. A operação atingiu o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, e Karina Gama, responsável pela Go Up Entertainment.

As suspeitas envolvem recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à empresária e repasses a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços. Essa investigação é distinta da apuração sobre o dinheiro de Vorcaro conduzida por Mendonça, embora ambas alcancem o entorno do financiamento de Dark Horse.

Dino também proibiu Frias de deixar o país. Dados financeiros citados na investigação apontam que o deputado transferiu R$ 645,4 mil à Go Up em menos de 60 dias, valor considerado pela PF incompatível com seus rendimentos mensais.

O caminho dos milhões

Entre os elementos apresentados para justificar a operação estão indícios de uma triangulação de aproximadamente R$ 6,1 milhões envolvendo entidades e empresas ligadas a Karina. Os recursos saíam do Instituto Conhecer Brasil para empresas terceirizadas, que depois transferiam valores à Academia Nacional de Cultura. As duas entidades são comandadas pela empresária.

Dino apontou “fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC”. A suspeita é de desvio e lavagem de dinheiro; o montante não representa um valor comprovadamente aplicado no filme.

A defesa de Karina afirmou ter entregado mais de 20 mil páginas de documentos à PF antes da operação e sustentou que a iniciativa demonstra sua colaboração. Frias também nega irregularidades.

Flávio, por sua vez, afirma que a produção recebeu recursos privados e nega ilegalidades. A origem e o destino do dinheiro, contudo, são justamente o objeto da investigação que o candidato enfrenta no Supremo.

 

Fonte: Redação Rede PT de Comunicação

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