Flávio Bolsonaro já havia sido exposto pelo Intercept Brasil negociando com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a vida de seu pai. Documentos e mensagens indicam que aproximadamente R$ 61 milhões foram transferidos para um fundo sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Nesta quinta-feira, 23, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito da PF para investigar a origem e o destino desses recursos.
De acordo com as apurações mais recentes, as duas notas fiscais de R$ 500 mil foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, então dirigida por Artur Martins de Figueiredo. Ele também estava ligado à Trustee DTVM, administradora de fundos investigada pela Polícia Federal por suspeita de movimentar e ocultar patrimônio relacionado ao grupo do banqueiro Daniel Vorcaro. Figueiredo, por sua vez, é investigado por supostamente utilizar fundos e manobras contábeis para movimentar e ocultar recursos. As notas foram canceladas posteriormente.
A Trustee nega irregularidades e afirma que Figueiredo apenas representava o fundo acionista da Copenhagen, sem participar das negociações comerciais da empresa.
A Copenhagen Assessoria e Consultoria recebeu quase R$ 58 milhões do Master entre 2024 e 2025, apontam documentos da Receita Federal aos quais a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado teve acesso.
O escritório de Flávio também emitiu uma nota fiscal em 9 de abril de 2025, apenas dois dias depois, para uma outra empresa, a Contábil Correa, por um serviço descrito na nota fiscal como “assessoria jurídica”. Registros da Junta Comercial de São Paulo revelam que a Contábil Corrêa pertence a Rogério Novo, que se tornou diretor da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025. Novo substituiu Artur Figueiredo no cargo.
Na quarta-feira, 22, Flávio negou ter recebido dinheiro da Copenhaguen. “Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, alegou o senador, em vídeo publicado nas redes sociais.
Polícia Federal é acionada pelo PT
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, nesta quinta-feira, 23, uma notícia de fato na PF para apurar a relação do pré-candidato do PL com as empresas de fachada de Vorcaro. “Flávio tem muito que explicar sobre essas notas que ele emitiu e os R$ 500 mil que ele recebeu por supostos serviços prestados. Que serviços são esses, Flávio?”, cobrou o parlamentar.
“O que a gente quer é que o Flávio Bolsonaro mostre os serviços prestados. Porque está muito claro aqui: olha, pessoal, tem uma figura chamada Rogério Lourenço Novo. É o contador das duas empresas. Ele é que está à frente das duas, tanto da Copenhaguen quanto da Contábil Corrêa. E as duas empresas ficam no mesmo lugar: São Caetano do Sul”, afirmou Lindbergh.
“Aí tem coisa, hein”
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), falou em “relação promíscua” entre Flávio e Vorcaro. Uczai voltou a defender a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. “Duas notas fiscais que somam R$ 1 milhão foram emitidas para a Copenhagen Consultoria, empresa que recebeu aportes milionários de Vorcaro, e posteriormente canceladas. Aí tem coisa, hein”, expôs.
Outro membro da bancada do PT na Câmara que se manifestou nas redes foi o deputado federal Rogério Correia (PT-MG). “Perdeu, Flavinho”, ironizou, no X. “Flávio Bolsonaro tentou me processar porque denunciei o caso da mansão que ele tomou do jogador Richarlison. Foi mais uma tentativa de me intimidar. Não deu certo. Perdeu o processo e eu vou continuar denunciando tudo de errado que ele fizer”, acrescentou Correia.
