‘Governar o Brasil não é uma aventura. Você não governa pela internet’, afirma Lula

Governar o Brasil exige experiência, seriedade e sensibilidade, destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 17, ao conceder entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG).  “Governar o Brasil não é uma aventura. Isso aqui é um gigante. Você não faz ‘cavalo de pau’ num navio do tamanho do Brasil. Você não governa o Brasil pela internet. Você governa o Brasil com políticas concretas, com decisões concretas”, disse, alfinetando indiretamente o adversário, o candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL), que nunca exerceu nenhum cargo público no Executivo.

Lula reforçou que a população precisará “pensar muito bem” sobre os planos de governo de cada candidato à Presidência e em quais as propostas concretas que cada um deles apresenta ao Brasil. “Não tem hoje, no Brasil, ninguém que esteja mais preparado do que eu para cuidar do povo brasileiro.”

Lula cobra transparência na crise do Supremo por causa do Banco Master

Ao comentar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com ataques gravíssimos entre ministros por suposto envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso, e o escândalo do Banco Master, Lula defendeu que todos os envolvidos sejam analisados de forma conjunta. O presidente criticou a atuação do ministro André Mendonça na relatoria do caso e afirmou que ele teria utilizado o cargo para fazer política e divulgar informações de forma seletiva.

“Agora é começar a vazar o que precisa vazar de verdade para o povo saber a verdade”, afirmou Lula. “Vamos saber se o [Luiz] Fux está envolvido, se o André Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE [Kassio Nunes Marques] está envolvido. Vamos saber quem está envolvido para podermos apurar.”

Por conta da crise entre os magistrados, os sigilos dos inquéritos ligados ao Banco Master foram retirados, por determinação do presidente da Corte, Edson Fachin. Para Lula, não deve haver tratamento diferente entre todos os envolvidos. “Você não pode julgar uma pessoa antes das eleições e julgar o restante depois. Julga todo mundo de uma vez. Analisa todo mundo”, disse o presidente, referindo-se à disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

O presidente também defendeu que o conteúdo dos materiais contidos nos inquérigos sejam conhecidos pela sociedade. “É só tornar público. Quem é que tem medo do povo saber das coisas? Quem é que não quer que o povo saiba?”, questionou. Ainda não foram tornadas públicas, por exemplo, as mensagens do telefone celular de Daniel Vorcaro.

Lula afirmou que a crise também deve abrir espaço para uma discussão sobre mudanças no funcionamento do Judiciário. Ele disse ser a favor de medidas como  estabelecer tempos de mandato para os ministros, mas ressaltou que essa discussão deve ser feita com cuidado e ouvindo diferentes setores da sociedade.

“Quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte. Aquilo é um sacerdócio. A pessoa que quiser ir pra Suprema Corte tem que ir para servir a sociedade, e não para se servir o cargo”, afirmou.

“O caso Master não foi desvendado”

Enquanto falava sobre a fraude do Banco Master, Lula afirmou que o caso ainda precisa ser completamente esclarecido e defendeu a apuração de todas as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“O caso Master não foi desvendado”, reforçou. O presidente também citou Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador terá de prestar esclarecimentos sobre sua relação com Vorcaro e os recursos relacionados à produção do filme Dark Horse.

“O jogo está começando e o Flávio Bolsonaro sabe que não vai escapar. Ele sabe que está atolado até o pescoço em todas as falcatruas do Banco Master”, afirmou Lula.

“Quem criou o Banco Master foi o [Jair] Bolsonaro. Quem era amigo do Vorcaro era o Bolsonaro. Quem pegou dinheiro pro filme foi o [Flávio] Bolsonaro”, ressaltou o presidente.

Lula também defendeu que as informações reunidas nas investigações sejam apresentadas à sociedade. “Quando aparecer, o povo saberá a verdade. E quando o povo souber a verdade, o povo saberá tomar decisão.”

Controle das riquezas do Brasil

O presidente também falou sobre a proteção das terras raras brasileiras. Durante a entrevista, Lula defendeu que o Brasil tenha controle sobre a exploração de suas riquezas e avance na produção de bens de maior valor agregado.

Quando questionado sobre um documento de 2025 que continha exigências apresentadas pelo governo dos Estados Unidos durante as negociações para rever o tarifaço, incluindo o acesso facilitado de empresas norte-americanas ao setor de minerais críticos, ele afirmou que o Brasil não aceitou as demandas.

“Nem discutimos o documento, porque era inaceitável um país querer ter prioridade na riqueza mineral do nosso país. Esse documento não foi discutido, não está em discussão nem será discutido”, afirmou.

Lula defendeu que a exploração dos minerais críticos seja acompanhada pelo desenvolvimento da indústria nacional, com a transformação das riquezas dentro do país, assim como está previsto na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada na quarta-feira, 16.

Quando perguntado sobre a possibilidade de interferência de outros países nas eleições de outubro, o presidente reforçou a defesa da soberania brasileira. “Aqui no Brasil as eleições são nossas. Nós temos o processo eleitoral mais seguro do mundo”, afirmou.

Lula também destacou o sistema eletrônico de votação adotado no país. “Aqui a eleição termina às 18 horas e às 20 horas nós já sabemos o resultado eleitoral”, disse.

“Se tem uma coisa que eu quero fazer é convidar todos para acompanhar a eleição brasileira. Quem sabe a gente consegue introduzir o voto eletrônico em todos os países do mundo”, acrescentou.

 

Fonte: Redação Rede PT de Comunicação

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