Enquanto o Senado decidia o fim da escala 6×1 nesta quarta-feira, 14, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preferiu o palanque no Rio Grande do Sul, onde apareceu dançando, a comparecer ao plenário para sustentar pessoalmente sua posição. Registrou voto favorável à distância, ou seja, um voto envergonhado.
Esse apoio repentino do candidato da extrema direita à proposta da redução da jornada convive com uma sinalização bem diferente nos bastidores: segundo a CNN Brasil, o candidato indicou a empresários que poderá rever a medida se eleito.
O coordenador político da campanha bolsonarista, Rogério Marinho (PL-RN), não participou da votação, assim como Sergio Moro (PL-PR) e Marcio Bittar (PL-AC). Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice de Jair Bolsonaro, deu o único voto contrário ao fim da jornada 6×1.
A contradição marca o recuo eleitoral do candidato da extrema direita. Depois de atacar a proposta, Flávio anunciou apoio apenas na véspera da votação, movimento que Lula atribuiu à pressão da sociedade. Na capital gaúcha, porém, deixou a redução da jornada fora dos discursos, mesmo com o assunto em votação no Congresso.
Aprovada por 75 votos a 1 nos dois turnos, a proposta assegura dois dias de descanso remunerado e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial.
Dança no palanque, silêncio sobre direitos
Durante o comício em Porto Alegre, Flávio saltou e dançou ao som de versões de funk produzidas para a campanha. Para a redução da jornada, no entanto, não houve o mesmo entusiasmo público: o candidato não mencionou a proposta e preferiu dar destaque à redução da maioridade penal.
Moro estava entre os aliados que acompanharam a agenda no Rio Grande do Sul. Diferentemente de Flávio, que utilizou a possibilidade de votar remotamente, o ex-juiz não registrou voto em nenhum dos turnos. A presença no palanque não se traduziu em apoio à garantia de mais tempo de descanso para os trabalhadores.
Apoio nas urnas, revisão nos bastidores
O problema vai além da cadeira vazia no plenário. Reportagem da CNN Brasil revelou que a campanha de Flávio avaliou que ele não poderia votar contra uma proposta de forte apelo popular em plena disputa presidencial. Paralelamente, pediu um voto de confiança a empresários e sinalizou a possibilidade de promover mudanças em 2027.
A alternativa defendida pelo candidato é a proposta de remuneração por hora trabalhada apresentada por Rogério Marinho. Segundo a apuração, aliados apostam na força das bancadas eleitas para patrocinar o que chamam de “correções”. O voto favorável, portanto, não encerra a ameaça de alteração da conquista: a própria campanha mantém aberta essa possibilidade.
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) também antecipou a intenção de aprovar, em 2027, a proposta de pagamento por hora. Conforme relatou a Folha de S.Paulo, esse modelo permitiria um contrato com dois dias de folga, mas sem remuneração pelos dias não trabalhados. É justamente o descanso remunerado que a proposta aprovada protege.
Marinho e Moro ausentes, Mourão contra
O registro nominal do Senado deixa claro o comportamento dos aliados de Flávio. Rogério Marinho, Sergio Moro e Marcio Bittar aparecem como “não compareceu” nas duas votações. Não houve abstenções formais. O coordenador da campanha bolsonarista, autor da alternativa defendida pelo presidenciável, deixou de dar seu voto à redução da jornada.
Mourão foi mais explícito: votou contra nos dois turnos. O ex-vice de Jair Bolsonaro ficou isolado na rejeição à proposta que garante mais descanso sem diminuir salários.
Lula já havia apontado o papel da mobilização popular na mudança de postura da direita. Na terça-feira, 13, afirmou que as manifestações e a pressão da sociedade levaram o PL a anunciar apoio à proposta. “Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, declarou.
A aprovação representa uma vitória concreta de quem reivindica tempo para descansar, estudar e conviver com a família. A sinalização de revisão feita pela campanha de Flávio, contudo, mostra que a disputa pela preservação desse direito continua, apesar do “sim” registrado à distância.
Fonte: Redação Rede PT de Comunicação
