Pesquisa do Datafolha mostra que 71% dos brasileiros defendem mudança na jornada de trabalho; deputados do PT apoiam ainda redução da jornada de 44h para 40h semanais e afirmam que a medida representa avanço civilizatório e mais dignidade para trabalhadores
O forte apoio popular ao fim da escala de trabalho 6×1 tem mobilizado parlamentares da Bancada do PT na Câmara dos Deputados, que defendem a redução da jornada semanal e apontam a mudança como um avanço social capaz de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.
Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesse domingo (15) aponta que 71% da população apoia o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e tem apenas um de descanso. Apenas 27% dos entrevistados são contrários à mudança, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder.
O líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), destacou que a redução da jornada é uma pauta histórica do movimento sindical e também defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo ele, experiências internacionais demonstram que a redução da jornada pode aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida.
“O próprio Presidente Lula já afirmou que reduzir a jornada de trabalho é uma evolução civilizatória. Países que avançaram nessa pauta mostraram que é possível produzir mais, com mais qualidade de vida e mais empregos”, afirmou.
Uczai também defendeu a mudança da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, dentro de uma escala 5x 2, sem redução de salário.
“Reduzir a jornada de trabalho. Cinco dias para trabalhar e dois para viver, cuidar da saúde e da família. A vida além do trabalho. Quando a gente tem isso, melhora a qualidade de vida e aumenta a produtividade do trabalho, como se comprovou em várias experiências mundiais. A nossa bancada apoia a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com a escala 5×2, sem redução de salário. Essa é a vitória que vamos construir, juntos e mobilizados”, declarou.
Saúde dos trabalhadores
Para o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), o modelo atual de trabalho é desgastante e prejudica a saúde dos trabalhadores.
“A escala 6×1 é uma realidade dura para milhões de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil. Trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um de descanso não é qualidade de vida, é exaustão. Defender a redução da jornada é defender saúde, convivência familiar e mais dignidade para quem move a economia do país”, observou.
O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) ressaltou que o levantamento do Datafolha confirma que a sociedade brasileira quer mudanças na organização da jornada de trabalho.
“Pesquisa do Datafolha confirma: 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. O povo quer mais tempo para viver, cuidar da família, descansar e ter qualidade de vida. Trabalhar é digno. Exploração não é. O Brasil precisa avançar para uma jornada de trabalho mais justa”, declarou.
Defesa da vida
A deputada Juliana Cardoso (PT-SP) afirmou que o tema está diretamente ligado à defesa da vida familiar.
“O fim da escala 6×1 é uma pauta familiar. Quem defende as famílias brasileiras precisa lutar pelo direito do povo de trabalhar em escala 5×2 e ter mais tempo para ver os filhos crescerem, cuidar da saúde e viver com dignidade. Trabalho não pode significar abrir mão da própria vida”, disse.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) também destacou o apoio popular à proposta e criticou a resistência de setores do Congresso.
“Pesquisa Datafolha mostra que a maioria da população é favorável ao fim da escala 6×1. O trabalhador quer mais dignidade. Nossos jovens merecem, e o Presidente Lula vai enviar projeto de lei em regime de urgência. Bolsonaristas e Centrão estão obstruindo a PEC. O povo já decidiu. Queremos o fim da escala 6×1 sem redução de salário. Ninguém aguenta mais trabalhar até a exaustão sem ter tempo para a família e para o lazer”, afirmou.
Mobilização social
Na mesma linha, o deputado Alencar Santana (PT-SP) disse que o crescimento do apoio popular reforça a necessidade de mobilização social para aprovar a proposta.
“Aumenta o apoio ao fim da escala 6×1, e já são 71% da população que defendem essa bandeira justíssima. Mas não basta termos maioria na sociedade. Vamos ter que lutar muito para aprovar essa proposta, já que a direita — especialmente o PL de Flávio Bolsonaro — é contra essa pauta. Por isso é fundamental ampliar o debate com a população”, pontuou.
A deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) também destacou que a maioria da sociedade já se posicionou a favor da mudança.
“71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 sem redução de salário. Isso mostra que o país está pronto para avançar. Quem vive do trabalho sabe: ninguém pode trabalhar seis dias por semana e ter qualidade de vida. Seguimos na luta por mais dignidade, mais tempo para viver e mais justiça para as trabalhadoras e trabalhadores do Brasil”, escreveu nas suas redes sociais.
CUT
A redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma pauta histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pode entrar na agenda do Congresso Nacional nos próximos meses. O projeto conta com apoio do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas enfrenta resistência de alguns setores empresariais, que afirmam que a mudança poderia provocar desemprego e impactos na economia.
Dados da pesquisa
De acordo com o levantamento do Datafolha, realizado entre os dias 3 e 5 de março, a maioria da população apoia mudanças na organização da jornada de trabalho. Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Entre os brasileiros economicamente ativos, 53% afirmam trabalhar até cinco dias por semana, enquanto 47% dizem ter jornadas de seis ou sete dias.
Mesmo entre aqueles que trabalham seis dias ou mais — grupo diretamente impactado pela mudança — o apoio ao fim da escala 6×1 chega a 68%. Entre os que trabalham até cinco dias por semana, o índice de apoio sobe para 76%.
O apoio à proposta também cresceu em relação ao levantamento anterior do instituto, realizado em dezembro de 2024, quando 64% eram favoráveis à mudança, contra 33% contrários.
Impacto na economia
Estudos indicam que a redução da jornada pode trazer impactos positivos para a economia. Em entrevista ao Portal da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp e autora do “Dossiê 6×1”, estima que a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais poderia gerar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em cerca de 4%.
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, o estudo aponta que cerca de 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornadas superiores às 44 horas semanais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Os dados também indicam que 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas semanais, o que coloca o Brasil entre os países com maior carga de trabalho.
Para a pesquisadora, a redução da jornada pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e impulsionar a economia.
Fonte: Redação PT na Câmara, com informações da CUT
