Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (3) pelo jornalista Valdo Cruz, do G1, integrantes do entorno presidencial consideram necessário que Lula transmita pessoalmente uma mensagem de estabilidade aos investidores, diante das dúvidas sobre a condução da economia em seu quarto mandato.
A avaliação desses interlocutores é que um posicionamento direto do presidente pode reduzir as incertezas provocadas pela circulação de propostas de alteração na política de juros. Os aliados defendem que o governo deixe clara a intenção de preservar a responsabilidade com as contas públicas, sem recorrer a medidas que provoquem uma ruptura na orientação econômica.
As preocupações surgiram depois que circularam informações sobre a possibilidade de Lula se reunir com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para examinar uma proposta de redução da taxa básica de juros para até 7,5% ao ano. A ideia também envolveria o estabelecimento posterior de limites para a inflação e para a taxa Selic, definida pelo Banco Central.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou a perspectiva de uma mudança na política econômica. Ele também negou que estivesse prevista uma reunião entre o presidente e Lara Resende para discutir a proposta.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também se manifestou sobre o assunto. Próximo de Lara Resende e apontado como possível articulador de uma conversa com Lula, Mercadante afirmou que não havia reunião agendada entre os dois para os próximos dias.
Governo prepara medidas para cumprir meta fiscal de 2027
A equipe econômica trabalha na elaboração de iniciativas destinadas a assegurar o cumprimento da meta fiscal de 2027. Durigan tem sinalizado que pretende apresentar ao presidente, em breve, medidas voltadas a alcançar o centro da meta de resultado primário, estabelecido em superávit equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
A estratégia em discussão prevê a realização de um ajuste gradual das contas públicas ao longo dos próximos quatro anos. A intenção é evitar uma redução abrupta das despesas federais que possa comprometer a continuidade de programas sociais.
Lula, por sua vez, já manifestou publicamente a intenção de preservar essas políticas. Em publicação nas redes sociais, o presidente assegurou que não pretende eliminar programas sociais e reafirmou o compromisso de cumprir as promessas apresentadas durante a campanha eleitoral.
A manutenção desses compromissos ocorre em um contexto de ampliação de benefícios durante o período eleitoral. Entre as iniciativas mencionadas estão o aumento do Bolsa Família e a concessão de benefícios destinados aos microempreendedores individuais.
O desafio da equipe econômica será compatibilizar essas despesas com a trajetória de ajuste fiscal defendida pelo Ministério da Fazenda. A proposta de realizar correções graduais busca distribuir o esforço de equilíbrio das contas públicas ao longo do mandato, sem concentrar medidas de contenção de gastos em um período curto.
Experiências anteriores orientam debate econômico
Economistas que já trabalham com Lula também recorrem às experiências anteriores de governos petistas para defender a manutenção da disciplina fiscal. Na avaliação desses interlocutores, os resultados econômicos dos dois primeiros mandatos do presidente foram favorecidos pela geração de superávits primários, que contribuíram para a redução dos juros e para o crescimento da economia.
Esses integrantes da equipe fazem uma comparação com a política implementada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, especialmente com a chamada nova matriz econômica, associada ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Naquele período, o Banco Central reduziu a Selic para 7,25% ao ano, enquanto o governo ampliava despesas sem promover um ajuste fiscal correspondente. Posteriormente, a economia brasileira enfrentou uma recessão, acompanhada por forte elevação do desemprego.
A deterioração econômica contribuiu para o desgaste político do governo Dilma, que sofreu impeachment em 2016.
A comparação é utilizada por integrantes do entorno presidencial como argumento em favor da preservação do equilíbrio fiscal. A definição das medidas necessárias para alcançar a meta de 2027, entretanto, ainda depende das propostas que Durigan pretende submeter a Lula.
Fonte: Redação Brasil 247
