Pela primeira vez na história do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), o Brasil registrou menos de um milhão de hectares desmatados em um ano. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, 27, pela ONG MapBiomas, revelou que foram desmatados 984.794 hectares no país, uma redução de 20,6% em relação a 2024.
Todos os biomas do país tiveram redução da área desmatada. O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas, com queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, somando 12.260 hectares perdidos no ano. A lista segue com reduções na devastação do Pampa (33,5%), Caatinga (25,9%), Amazônia (23,5%), Cerrado (17%) e Mata Atlântica (4,7%).
Dentro das Unidades de Conservação, o Brasil registrou 46.257 hectares desmatados em 2025, redução de 21,4% em relação ao ano anterior. Já as Unidades de Proteção Integral tiveram queda ainda maior, de 55,8%. Nas Terras Indígenas, a perda de vegetação nativa foi de 12.593 hectares, uma redução de 22% em comparação a 2024.
Governo Lula amplia programas ambientais
A redução do desmatamento ocorre em meio à retomada de políticas ambientais pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem reforçado ações de fiscalização, preservação e incentivo à conservação ambiental. De acordo com o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista no Congresso Nacional, ressalta que “esses dados merecem ser celebrados e não caem do céu”.
“Eles são resultados de uma política ambiental que foi construída depois de quatro anos de desmonte do governo anterior. O Governo Lula retomou o controle do desmatamento e voltou a ter uma postura contra os crimes ambientais”, afirmou o deputado.
Entre as medidas implementadas no Governo Lula está o Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia, que reúne 81 municípios prioritários no combate à devastação ambiental e às queimadas na região.
Outra política pública é o Fundo Amazônia, que aprovou mais de R$3,7 bilhões em recursos entre 2023 e 2025 e busca viabilizar o apoio nacional e internacional a projetos para a conservação e o uso sustentável das florestas na Amazônia Legal.
Buscando incentivar o cuidado com o Meio Ambiente, o Governo Federal mantém em funcionamento o Projeto Floresta+Amazônia, que até 2026 investirá um total de 96 milhões de dólares nos estados amazônicos, por meio de ações e incentivos financeiros, com pagamentos por serviços ambientais e a execução de projetos que beneficiarão diretamente as comunidades locais, e o programa Bolsa Verde, que beneficia cerca de 70 mil famílias que atuam na recuperação e preservação da vegetação nativa.
O endurecimento das ações de fiscalização ambiental também são destaque. Segundo o material divulgado pelo MMA durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30 , as operações do Ibama cresceram mais de 110% em comparação a 2022, enquanto as ações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tiveram aumento de 96% no mesmo período.
As ações fazem parte do projeto do governo de cumprir com o compromisso histórico de alcançar o desmatamento zero até 2030, reduzir substancialmente suas emissões de gases de efeito estufa e garantir um futuro sustentável para a população.
Mesmo com avanços, dados trazem alertas
Apesar da redução no desmatamento registrada em 2025, os números ainda preocupam. “Os dados do MapBiomas também trazem alertas que não podem ser ignorados”, disse Tatto.
O Brasil perdeu, em média, 2.698 hectares de vegetação nativa por dia ao longo do último ano — de acordo com a ONG, isso é o equivalente a cerca de 17 parques do Ibirapuera devastados diariamente. Nos últimos sete anos, o país acumulou a perda de mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior ao território de Pernambuco.
Cerrado e Amazônia seguem concentrando a maior parte da devastação ambiental no país. Juntos, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda a área desmatada em 2025. O Cerrado permanece como o bioma mais afetado, com 540.614 hectares devastados no ano, enquanto a Amazônia registrou 289.478 hectares desmatados.
A expansão agropecuária continua sendo o principal vetor de pressão ambiental, responsável por 99% da vegetação nativa perdida em 2025. O setor respondeu por 99% de toda a vegetação nativa perdida em 2025 e por mais de 97% do desmatamento acumulado desde 2019.
O estudo também aponta crescimento dos desmatamentos relacionados à expansão urbana, que aumentaram 7% em relação a 2024. Cerrado e Amazônia concentraram mais de 60% das perdas de vegetação associadas à urbanização.
Fonte: Redação Rede PT de Comunicação
